


#ParaTodosVerem
O cartaz é uma ilustração digital em formato retangular horizontal. O fundo tem uma cor predominante rosa-claro. No canto superior direito até a base inferior estão desenhadas duas máscaras estilizadas em tons de amarelo e roxo, com olhos, nariz e boca azuis, ocupando posições opostas na diagonal. Entre eles está escrito o título do texto “Mundo Cão” em uma fonte estilizada, estilo de pichação, com letras grandes e finas em linhas marrons, distribuídas de forma inclinada. No canto extremo do lado direito a metade de um rosto de um homem magro olhando diretamente para o leitor. À esquerda, há um texto de seis parágrafos em preto, alinhado em um retângulo vertical, ocupando a metade esquerda do cartaz. No final do texto, na parte inferior esquerda, estão os créditos: “Escrito por Breno Roque, ilustrado por Michel CENA7, Projeto Arte Para Respirar”.
Texto completo do cartaz:
Mundo Cão
Há uns dois anos, criei o hábito de prestar mais atenção nas histórias de cinema — entendendo que muitas delas, mais do que um roteiro, transmitem uma lição de vida. Uma vez que escrevo desde criança, decidi que quero passar o impacto que tenho com esses filmes para as minhas obras.
Decidi, portanto, que quero ser um escritor que transmite alguma lição de vida. Claro, a vida está o tempo inteiro nos ensinando alguma coisa.
Por exemplo, no meu horário de almoço, gosto de relaxar um pouco na Biblioteca Mário de Andrade (que me inspirou um conto há um tempo, inclusive), e dia desses presenciei algo que vale a pena ser escrito: o dia estava muito belo, tudo estava tranquilo, e um cachorrinho foi atravessar a rua. Quem sabe, para ele, fosse normal, quando, de repente, veio uma sucessão de muitos gritos, altos e desesperadores dele: fora atropelado. O motorista partiu e deixou-o no chão.
O cachorro gritava incessantemente de dor, e quando um homem foi ajudá-lo, ao pegá-lo no colo, o cachorro lhe mordeu (talvez por não suportar a dor pelo jeito que era apanhado). Com muito custo e com a dor da mordida, o homem conseguiu levá-lo para a calçada.
O cachorro procurou ser forte, lutou bastante (com todas as forças que tinha, manifestando-se de dor e querendo voltar a sentir as pernas), e algumas pessoas ainda ficaram ao seu redor, até ele abandonar os gritos e os movimentos aos poucos. Assim, o cachorrinho deu seu último suspiro e seus últimos momentos foram em uma tarde quente em frente à Biblioteca Mario de Andrade, justamente num dia em que eu estava procurando ver as coisas boas. Era uma bela tarde para um episódio trágico. Logo, a cidade continuou, eu estava ocupado demais pensando em muitas coisas e precisava voltar ao trabalho, e a cidade tinha os seus compromissos, não poderia parar por conta de um cachorro que havia partido.
Então, ligeiramente, eu parei para pensar como nós somos ignorantes, como a morte de um cachorrinho de rua é indiferente ante os nossos compromissos, mas que havia algo que podia pensar nisso: a literatura. Sim, a literatura tem um poder fortíssimo. Talvez essa mesma notícia, através de um jornal, não tivesse o mesmo efeito. Como muitos sabem, já busco trabalhar com isso há um tempo. Pensando nisso, passei a escrever pensando em situações como essa. Nesse pensamento, esclareço: as minhas crônicas têm o objetivo de nos fazer refletir e nos tornar melhores.
Assim, despeço-me por aqui na expectativa de que vocês gostem do meu trabalho, deixando somente um recado: semelhantemente à reflexão que faço quando escrevo, a cada crônica, façam o mesmo, pensem com o coração. Pensem em como podem melhorar a cada episódio como esse, como o do cachorrinho que se foi, pois fiz isso naquela tarde. Dessa maneira, com cada um de nós buscando melhorar a cada dia, poderemos habitar em um planeta melhor.
Breno Roque

Breno Roque
Eu me formei em Direito em 2020. Todavia, somente no sétimo semestre descobri a minha paixão de uma maneira mais intensa pela Literatura, e foi quando comecei a mentalizar a possibilidade de me tornar um escritor profissional. Atualmente estou em processo de migração para a Literatura, de maneira que eu possa viver disso: quem sabe um dia ministrar aulas ou profissionalizar-se cada vez mais na escrita.
Também tenho a pretensão de adaptar as minhas obras ao audiovisual. O cinema tem uma linguagem muito boa para contar histórias e que quero aproveitar. Mas por ora, e independentemente de ser por meio da literatura ou pelo cinema, quero transmitir experiências humanas, e que através delas os leitores possam ter acesso a reflexões profundas. Emoções são primordiais para enriquecer a personalidade de cada personagem, e gosto de permear entre as angústias e características de cada um. O leitor irá encontrar profundidade em experiências humanas nas minhas obras.
Gosto de transitar entre a poesia, a subjetividade, e explorar sentimentos dos personagens quando eles estão encurralados, ou quando precisam tomar uma decisão difícil. Sigo a regra de que a arte imita a vida. E se a vida às vezes nos oferece momentos difíceis que precisamos contornar, não seria diferente entre os personagens.

Michel CENA7
Construo diálogos pictóricos através da vivência com a cidade e a poesia urbana. A cidade palco de minhas ações, onde vivo e trabalho é São Bernardo do Campo. “Ótimo colorista” como já me disse Emanoel Araújo; teço narrativas entre cores, formas e personagens fantásticas, propondo uma nova sociedade que eu titulo “Fauna”, “Utopias póstumas” e “Levante de uma nação”.
Tenho obras em importantes acervos brasileiros como, a Pinacoteca do Estado de São Paulo, o Museu AfroBrasil Emanoel Araujo, a Pinacoteca de São Bernardo do Campo, o Museu de Arte do Rio e Museu Nacional de Belas Artes, além de artista, sou poeta e produtor cultural, e minha trajetória é versada na realização de saraus e na mobilização coletiva. Já participei de exposições nos Estados Unidos, Austrália e Londres, e tenho murais na cidade de Loures, em Portugal.
No ano de 2023 e 2024 participei de diversas exposições com o projeto Acervo Rotativo, com curadoria de Laerte Ramos, o projeto contempla um número de 400 artistas, passando pelo MACS (Museus de Arte Contemporânea de Sorocaba), MARP (Museu de Arte de Ribeirão Preto) e diversas unidades do Sesi em SP. Em 2024 participei de coletivas por instituições de relevância como, Museu Nacional de Belas Artes, Instituto Tomie Ohtake, Funarte e Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa, no Porto. Ainda em 2024 terei minha primeira exposição individual numa instituição Museológica, na Pinacoteca de São Bernardo do Campo.

Vitória Tavares
Acredito que a arte tem a função de incomodar, porque é no desconforto que surgem as mudanças que o mundo precisa. Formada em Teatro e Dança pelo Centro Livre de Artes Cênicas e em Cinema pelo Centro Audiovisual de SBC, trago a integração das linguagens como base do meu trabalho. Atuo como diretora, produtora e diretora de arte em produções audiovisuais e exposições. Sou uma artista nômade, apaixonada por performance, videoarte, artesanato e quase tudo o que é considerado esquisito, inspirada pela natureza e pela diversidade de culturas do Brasil e do mundo. Acredito na arte como ferramenta de transformação, capaz de descomplicar a vida, criar vínculos, desfazer guerras e unir forças em prol da liberdade e do direito de sentir e criar.


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